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A Outra Menina Bennet

A Outra Menina Bennet

14
Jan19

“O Italiano”, Ann Radcliffe – outra vez o gótico, outra vez a senhora Radcliffe

Sofia

“Desejo que todos os que, nesta noite não estão alegres o suficiente para falar antes de pensar, nunca depois estejam taciturnos o suficiente para pensar antes de falar!”

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Mais uma vez trago-vos um romance gótico! Sei que provavelmente já estou a abusar, depois de Frankenstein (Mary Shelley), de Os Mistérios de Udolpho (também de Anna Radcliffe) e de O Castelo de Otranto (Horace Walpole) voltar aqui outra vez com a Senhora Radcliffe e esta sua obra O Italiano. E sei que, embora o gótico ainda continue em voga, estes primeiros romances e grandes clássicos do género já não são tão populares como um dia foram. A verdade é que, por motivos académicos, tenho estado muito imersa neste género. E destas obras acabo por gostar o suficiente para querer que toda a gente as leia e fale sobre elas. Então cá vamos nós outra vez!

 

 

26
Nov18

“O Castelo de Otranto”, Horace Walpole – e assim começou o gótico

Sofia

“Não há grandiloquência, símiles, flores, digressões, ou descrições desnecessárias. Tudo tende diretamente para a catástrofe."

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Li este livro porque tive de ler. Questões académicas. O gótico é o meu objeto de trabalho no momento, e embora eu tivesse fugido de ler este livro durante um tempo, acabei por sucumbir à necessidade, dever, e à curiosidade natural de quem estuda. Então consegui arranjar esta edição mega completa da Wordsworth que contém três histórias góticas: The Castle of Otranto, Vathek, e Nightmare Abbey. É uma edição excelente para mim. O Castelo de Otranto é a história principal, e como tal é dela que vos venho falar esta semana. 

 

 

05
Nov18

“Os Mistérios do Castelo de Udolpho”, Ann Radcliffe – o gótico pode ser ter uma explicação racional?

Sofia

“Uma mente bem informada é a melhor segurança relativamente ao contágio da folia e do vicio.”

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Devo dizer que li este livro só porque teve de ser. Fez falta por razões académicas. A primeira vez que ouvi falar do livro foi quando li a maravilhosa obra de Jane Austen – Northanger Abbey. Como sabem (ou deveriam saber), Northanger Abbey é uma paródia ao género do romance gótico. Nessa obra aparecem várias referências a este Os Mistérios do Castelo de Udolpho, que de resto é o principal alvo da paródia, já que é o livro preferido da protagonista. Pessoalmente, o estilo do romance gótico não é o meu preferido, mas eu não desgosto dele, e essa é exatamente a maneira como me sinto em relação a este livro.

 

 

29
Out18

“Os Poemas Completos”, John Keats – Entrei na loja de doces

Sofia

“Tu dizes que amas, mas com um sorriso tão frio como o nascer de sol em setembro.”

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Se acompanham o blog, repararam que há umas semanas partilhei uma review de uma coleção com os poemas de Y.B.Yeats. Na altura em que comprei essa coleção, comprei também a de Keats, Shelly, e Byron. A semana que passou terminei a leitura da coletânea com os poemas de Keats. Keats é um dos meus poetas românticos preferidos, e com tal foi com muito entusiasmo que comecei a ler esta coleção.

 

 

15
Out18

“Sir Gawain e o Cavaleiro Verde”, Autor Desconhecido – Romance de Cavalaria e Amor Cortês nunca sairão de moda

Sofia

“Lutar não o perturbava tanto como o rigoroso inverno.” 

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Embora só agora tenha lido este poema, já sabia a história de cor há bastante tempo. É um poema bastante discutido quando se estuda a época medieval. Como tal, na faculdade há muitas cadeiras e seminários onde este poema é aborado. Confesso que li este livro por obrigação. Bem, mas também porque me apeteceu, para ser honesta. Afinal já sabia a história antes de ter aberto o livro. 

 

 

 

08
Out18

“Macbeth”, William Shakespeare – o medieval no renascimento

Sofia

“De amanhã em amanhã vão-se arrastando nossos dias, numa senda sem sentido, até à última sílaba do tempo registado; e a luz dos nossos ontens vai-nos guiando, quais tolos, para a morte.”

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Shakespeare é um dos meus autores preferidos de sempre. E Macbeth é um das poucas peças do autor que ainda não tinha lido. Sinceramente, nem sei bem porquê. Acho que, como já conhecia a lenda, não tinha assim tanto entusiasmo para ler. Porém, como recentemente surgiu a oportunidade de fazer um trabalho na Faculdade sobre esta obra, comprei-a e li.

 

 

24
Set18

“Villette”, Charlotte Brontë – porquê tão subvalorizado?

Sofia

“Eu acredito numa mistura de esperança e sol que adoça as piores coisas. Eu acredito que esta vida não é tudo; nem o começo, nem o fim. Eu acredito enquanto tremo; eu confio enquanto choro.”

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O único livro das Brontë que ainda não tinha lido! Finalmente, posso riscá-lo da minha lista. A única razão pela qual ainda não tinha lido Villette foi o facto de não haver uma tradução em Portugal, e eu gosto sempre de ter uma versão em português e uma no original dos clássicos dos meus autores preferidos. E as Brontë estão definitivamente nessa categoria. Adoro-as. Como tal não fiquei surpreendida com a qualidade desta obra. A única coisa que me surpreendeu foi o facto de este livro não ser tão falado como os outros livros das Brontë, inclusive de Charlotte.

 

 

31
Jul18

“A Inquilina de Wildfell Hall”, Anne Bronte – Quando amamos demónios, qual é o caminho da salvação?

Sofia

“Mas se eu estiver tão modificado que tenha deixado de adorá-la com todo o meu coração e toda a minha alma para além de qualquer outra criatura, não serei eu próprio.”

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Quando fui à feira do livro este ano deparei-me com este maravilhoso livro. Já há muito que o queria ler, não só por ser uma fã incondicional das irmãs Bronte, mas também por ter lido o primeiro romance de Anne, Agnes Grey e o ter amado muito. Ainda não tinha comprado este porque quando trata de clássicos, gosto de ter a versão em português e a versão na língua de partida. Como este maravilhoso livro não tem a sua tradução à venda (porquê?), fui adiando a leitura. Entretanto na faculdade, uma colega chamou-me a atenção para o facto de este segundo romance de Anne ser ainda melhor do que o primeiro. Duvidei mas fiquei curiosa ao ponto de encomendar de imediato a versão em inglês. No meio disto tudo fui à feira do livro e encontrei, por acaso, esta versão traduzida, cuja tradução já conta com 20 anos! Comecei a lê-lo no início da última semana e só demorei todo este tempo porque o amei ao ponto de ir molengando na leitura para o fazer durar.

 

 

 

23
Jul18

“Frankenstein”, Mary Shelley – As criações do Homem vão destruí-lo no final

Sofia

“Homem, o quão ignorante ele é no orgulho da sua sabedoria.”

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Já tinha ouvido falar muito de Mary Shelley e do seu Frankenstein, mas foi só no ano passado, durante o último semestre da licenciatura, que decidi “vou ler este livro”. Falamos da autora devido à sua mãe, uma das fundadoras do feminismo verdadeiro – ênfase no “verdadeiro” -, numa cadeira de cultura, e do livro como pioneiro no género da ficção-científica numa cadeira de literatura. Desde então a minha curiosidade relativamente a ambos só cresceu. Entretanto passou-se mais de um ano, porém não me esqueci e cá estou eu.

Como provavelmente sabem, em Frankenstein, Mary Shelley conta a história de um estudante – Victor Frankenstein – que numa demanda por conhecimento e ciência desenvolve o desejo de “criar” um ser seu semelhante, somente através da ciência e experiência. Esta “experiência” é de facto bem-sucedida – Frankenstein cria, de facto, um ser, cria um monstro. Aterrorizado, foge do mesmo e deixa-o à solta no mundo. A partir daí, a criatura persegue o criador e o resto é, literalmente, história.

A mensagem que a história passa, para mim, é a melhor coisa do livro. Quer dizer, quantas vezes já não pensaram que a inteligência da humanidade vai ser a sua perdição? Estou sempre a pensar nisso. Tenho sempre presente na minha mente que todo o desenvolvimento que estamos a promover nos vai arruinar. Estamos a jogar um jogo de Deus. E nós não somos Deuses, somos só humanos. Claro que temos de evoluir e criar, é a lei da vida e precisamos de inovar para sobreviver. Mas já viram o que somos capazes de fazer? Criamos venenos e drogas, criamos armas e robots, inventámos guerras e coisas que voam, visitámos a lua e tocámos as estrelas. Fazemos coisas que nos matam todos os dias e não paramos nunca. Nunca estamos satisfeitos e estamos sempre à procura de criar a nova “grande coisa”. Quando penso em tudo o que já criamos não posso deixar de me sentir fascinada. Mas também assustada. Quando e onde vamos parar?

Vou dizer-vos uma coisa com toda a honestidade – gostei mais da mensagem da história do que da história em si. Adoro o seu simbolismo, mas a história em si não foi a minha preferida. Não obstante, é uma ótima história, e uma muito bem contada. A autora esteve muito bem na criação deste mundo fantástico e alternativo.

Sabiam que tudo começou como uma diversão? Ao que parece, a autora estava com outros autores e com o seu (muito) famoso marido a passar férias, quando foram retidos em casa por uma tempestade de neve. Então, juntamente com 3 desses autores, decidiu-se que fariam 4 histórias de fantasia para se entreterem. Destes 4, só Mary não faltou à palavra. E ainda bem.

Para mim, este foi um começo glorioso para a ficção-cientifica como género. E como tal acho que nunca pode ser ignorado. Foi assim, pelas mãos de Mary Shelley, que nasceu um dos géneros mais aclamados e vendidos atualmente. Nem que seja por uma questão de curiosidade ou respeito, acho que todos devíamos ler esta obra.

Como tal, recomendo-vos a leitura desta obra tão fundamental no cânone. Se gostam de ficção-cientifica, então não podem mesmo deixar de ler. E se não gostam, bem Frankenstein é um clássico. E se há coisa clara como água na literatura para mim é que os clássicos são para ser lidos. Foram eles que transformaram a literatura no que ela é hoje, e temos para com eles uma divída de milhões. Se a única forma através da qual a podemos saldar é lendo-os, então de que estamos à espera? Corram até a livraria mais perto de vocês e comprem Frankenstein de Mary Shelley. Leiam!

 

Idioma de leitura: Português

 

3,5/5

Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, viagens, tragédias, chuva e chocolate.

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