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A Outra Menina Bennet

A Outra Menina Bennet

16
Set19

“Cartas a Véra”, Vladimir Nabokov – a história de um escritor e a história de um amor

Sofia

“Sim, preciso de ti, meu conto de fadas. Porque tu és a única pessoa com quem eu posso falar acerca da sombra de uma nuvem, acerca da canção de um pensamento – acerca de como quando eu hoje fui trabalhar e olhei para um girassol, ele sorriu para mim com todas as suas sementes.”

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Lolita é um dos meus livros preferidos de sempre. Definitivamente no Top 5. Há uma parte do meu apreço por esse livro que se prende com a narração, com o estilo, com a qualidade da escrita, com o seu autor. Há ali uma pequena história da literatura. Por conseguinte, Nabokov tornou-se um dos autores que mais aprecio. Em consequência desta admiração, descobri certa vez este Letters to Véra, uma coleção completíssima de cartas que o autor escreveu à esposa Véra ao longo dos anos. As quase 900 páginas não me impediram de começar esta leitura. E porquê lermos a correspondência de alguém, neste caso, de um autor? Bem, se não pela poesia e pelo cariz quase literário que nunca abandona realmente qualquer coisa que um escritor escreva, pelo menos por tudo aquilo que podemos conhecer e descobrir acerca do dito autor.

 

 

09
Set19

“Salomé", Oscar Wilde – tragédia que é tragédia tem algo de grego

Sofia

“Não é sábio encontrar significado em tudo o que se vê. Tal torna a vida demasiado repleta de terrores.”

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Oscar Wilde é muito conhecido. O que não se sabe tanto sobre si é que, ao contrário da crença comum, ele não escreveu maioritariamente prosa. De facto, a conhecida obra O Retrato de Dorian Gray é um caso único na sua vida artística. Essa obra, uma das minhas prediletas, foi aquela que me introduziu ao autor e foi devido a ela que comecei a ler outras coisas de Wilde, sobretudo peças, contos e poemas já que, confesso, ainda não tive oportunidade e, sobretudo, curiosidade, de ler uma das suas novelas, embora tenha vontade de ler O Fantasma de Canterville. Talvez num futuro próximo, por agora, Salomé

 

 

02
Set19

“Moby-Dick”, Herman Melville – o ‘grande clássico americano’ é mais difícil do que estranho

Sofia

Ahab teve tempo para pensar; mas Ahab nunca pensa; ele apenas sente. Isso é intrigante para o homem mortal! Pensar é uma audácia. Apenas Deus tem esse direito e privilégio. Pensar é, ou deveria ser, algo frio e calmo; e os nossos pobres corações palpitam, e os nossos cérebros batem demasiado para o fazer. E, contudo, por vezes já pensei que o meu cérebro era muito calmo – frio, congelado.

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Moby-Dick era outro daqueles livros que, antes de ler, tive de pôr numa lista antes para me ir convencendo de que tinha mesmo de o ler. Sempre o quis fazer, confesso que mais pelo seu estatuto em termos de cânone do que pelo apelo que a história propriamente dita tinha para mim. Agora estou bastante satisfeita com a conclusão deste projeto.

 

 

26
Ago19

“Em Busca do Tempo Perdido”, Marcel Proust

Sofia

“Sonhamos muito com o paraíso, ou antes, com numerosos paraísos sucessivos, mas são todos, muito antes de morrermos, paraísos perdidos, onde perdidos nos sentiríamos."

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Finalmente. Se seguem o blog sabem que, no começo da primavera, quando tudo começava a florir, eu comecei a ler o primeiro volume de Em Busca do Tempo Perdido, ou seja, Do Lado de Swann, livro sobre o qual escrevi aqui. Lembro-me de ter pensado na altura que mais valia escrever sobre cada um dos sete volumes à medida que os fosse lendo, mas a verdade é que, assim que os lia sentia-me tão possessiva em relação à obra que não queria sequer falar sobre ela, não queria que ninguém "ma tirasse", que ela nunca deixasse de ser só “minha”. Sei que é estranho, mas é a verdade. Há semanas, acabei o último volume e, se só escrevo sobre a totalidade da obra agora, é porque tenho estado num processo de luto em relação ao tempo que perdi a ler estes 7 volumes e que nunca vou perder outra vez, pelo menos não da mesma maneira. O meu grande desejo era poder perder este tempo para sempre e nunca o reencontrar.

 

 

12
Ago19

“Carmen”, Prosper Mérimée - Carmen, Carmen … a ‘inesquecível’ e ‘livre’ Carmen

Sofia

“Ela mentiu, senhor. Ela sempre mentiu. Não me parece que ela alguma vez tenha dito algo que fosse verdade. Mas quando ela falava, eu acreditava nela” 

193853.jpgGeorges Bizet tem uma ópera lindíssima em quatro atos que eu adoro e que aconselho muito chamada Carmen (1875). Essa ópera, como quase todas as óperas tem um motivo literário por trás. Baseia-se numa obra de Prosper Mérimée com o mesmo nome, Carmen (1845). Há muito tempo que a queria ler, mas sabem como é, desde que desejamos uma coisa até que a concretizamos, passa uma vida. Enfim, li finalmente Carmen. 

 

 

05
Ago19

“O Vampiro”, John William Polidori – a origem de uma tradição

Sofia

“Afinal, os sonhos dos poetas eram as realidades da vida”

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Muito tempo depois, volto a trazer-vos algo Gótico. Acho que a última vez que falei de um romance gótico aqui, foi no inicio do ano quando vos trouxe The Monk. Não sei bem dizer o porquê de ter lido O Vampiro. Se calhar é por estar muito em contacto com este género; talvez seja por ter sido quase pioneiro em termos de tema; ou se calhar, apenas calhou. Mas ainda bem que o fiz, não por ter adorado, mas devido à tradição em que se insere e na qual esta obra é tão importante.

 

 

29
Jul19

“O Vermelho e o Negro”, Stendhal – Os pobres também amam

Sofia

As verdadeiras paixões são egoístas”

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Esta obra fazia parte da minha lista de livros a ler há séculos. Não o li há mais tempo porque, como sabia que era um livro genial mesmo antes de o ler, quis esperar para o ler no original, para não ter de lidar com uma tradução. Mas agora, finalmente, posso falar sobre ele. 

 

 

22
Jul19

“O Processo”, Franz Kafka - haverá algo mais claustrofóbico do que ler Kafka?

Sofia

“A lógica é de facto inabalável, mas não resiste a um homem que quer viver. Onde estava o juiz que ele nunca vira? Onde estava o alto tribunal a que nunca chegara?”

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Começo por vos dizer que este post foi um dos que demorei mais a escrever e que este livro é um sobre o qual me custa um bocadinho falar. Há uns anos li A Metamorfose e fiquei a admirar muito Kafka. Investiguei sobre o autor, li contos e ensaios, até fui a colóquio sobre o tema. É estranho pensar que, apesar disso, ainda não tinha lido O Processo, que é só um marco na literatura e na filosofia e, provavelmente, a obra mais completa e importante deste autor. Todavia, para mim, não é estranho de todo. E vou tentar explicar porquê. 

15
Jul19

“Muito Barulho por Nada”, William Shakespeare – a minha nova comédia preferida!

Sofia

“Não há nada no mundo que ame como a ti, não é estranho?"

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Pois é, outra vez Shakespeare! Bem sei que, para quem segue o blog, já é um abuso ir na terceira obra de Shakespeare, ainda por cima quase seguidas. Mas foi como já vos tinha dito, há uns tempos senti saudades do estilo e quis ler algumas coisas do autor que me tivesse passado ao lado. Muito Barulho por Nada é a terceira obra nesta espécie de 'ciclo Shakespeare’ e, com imenso gosto vos digo que é a minha preferida até agora. Tornou-se também a minha terceira peça preferida do autor de entre todas as que li, e mal posso esperar para vos dizer porquê! 

 

 

08
Jul19

“A Morte em Veneza”, Thomas Mann – o amor, a arte, e o amor na arte

Sofia

“Não há nada mais estranho e mais melindroso do que a relação entre duas pessoas que apenas se conhecessem de vista, que diariamente e a toda a hora se encontram, se observam e que, por questões sociais ou mero capricho são obrigadas a manter a aparência de mutua indiferença”  

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A Morte em Veneza é um daqueles clássicos que toda a gente conhece. Às vezes, existem certos livros que ‘conhecemos’ tão bem, por estarem de tal forma enraizados na nossa cultura, que nem nos lembramos de os ler. Até nos depararmos por aí com eles e nos questionarmos (e repreendermos) por não nos termos lembrado de os ler antes. E é esta a minha história com A Morte em Veneza.  

 

 

Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.

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