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A Outra Menina Bennet

A Outra Menina Bennet

19
Nov18

“A Cor Púrpura”, Alice Walker – A cor da história

Sofia

“Acho que aborreces Deus se passares pela cor púrpura num campo e não reparares nela.”

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A Cor Púrpura é um livro que está em literalmente todo o lado. E parece sempre que toda a gente já leu o livro, ou já viu o filme. Enfim, parece que toda a gente conhece a história. Acontece que, embora eu soubesse da existência deste livro, nunca me tinha passado pela cabeça lê-lo. Até porque não faz muito o meu género. Porém, aconteceu.

 

A Cor Púrpura remonta a 1982 e é um romance epistolar que conta a história de Celie. Tendo como contexto histórico a Geórgia (EUA) rural da década de 1930, a narrativa é constituída por cartas escritas por Celie e endereçadas a Deus, e mais tarde à irmã Nettie, e vice-versa. Nestas cartas é relatado o dia-a-dia e a vida das personagens, e o que acaba por estar no centro destas cartas é a maneira como Celie e as outras mulheres negras são tratadas não só pelas pessoas de outras raças, como também pelas suas famílias. Nas cartas de Nettie para Celie é retratada também uma missão missionária em África.

Parece-me que o livro foca alguns aspetos importantes e atuais, não só a nível do retrato histórico, mas também social. Pelo menos em termos de emancipação feminina, discriminação racial, questões de género, etc.

Tal como vos disse, este tipo de livro não faz muito o meu género. Eu não desgostei, leu-se bem, mas é só “mais um livro”. Sei que há imensas pessoas que levam este tipo de livro muito a sério porque pensam genuinamente que foram assim que as coisas aconteceram no passado. Além disso, que não gosta de personganes vítimas do sistema? Suscitam a nossa empatia e fazem-nos embrenhar mais na narrativa. A mim acontece exatamente a coisa contrária. Cada vez que leio um livro que pretende retratar, através de ficção, uma altura histórica, e sobretudo uma época de opressão social deste tipo, não me consigo identificar. Não me soa bem. Porque parece-me que os autores estão a tentar incutir uma ideia no leitor que é muito deles. Ninguém sabe como estas coisas aconteceram. A história é sempre contada pelos vencedores. Sei que houve imensa guerra, desigualdade, opressão, mas não vitimizem as vítimas nem as tentem fazer sair como vencedoras. Sobretudo, não manipulem o leitor.

No ano seguinte à sua publicação, A Cor Púrpura ganhou o prémio Pulitzer. Sinceramente acho que o ganhou mais pela afirmação política e social do que por ser um livro excelente. É bom, mas não tão bom assim. Na minha opinião, claro. Mas todos sabemos o quão politizado este tipo de prémio consegue ser.

Em suma, não vou dizer que adorei o livro, porque não adorei. Mas gostei. Não é um mau livro, nem de longe nem de perto. É agradável e lê-se bem. E para as pessoas que gostam deste tipo de história e narrativa, acho que este livro pode ser ideal. Recomendo a leitura.

Idioma de leitura: Inglês

3/5

 

Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.

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