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A Outra Menina Bennet

A Outra Menina Bennet

06
Abr20

“Antony e Cleopatra”, William Shakespeare

Sofia

Dai-me o meu manto, colocai-me a minha coroa; tenho anseios imortais em mim.

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Se costumam seguir o blog já notaram que obras deste autor vão surgindo com mais frequência do que qualquer outras. É um dos meus preferidos e, como tem uma obra tão extensa, parece que não se acaba nunca, o que é ótimo. O ano que passou dei privilégio às comédias e lembro-me de que vos falei no mínimo de As You Like It e de Much Ado About Nothing, e apenas de uma tragédia, Julius Caesar. Este ano decidi começar por uma tragédia que já há muito queria ler – Antony and Cleopatra

 

Não é difícil aduzir que Antony e Cleopatra narra, precisamente, a história dessas duas personagens históricas. A versão de Shakespeare é uma ficcionalização de uma das histórias românticas mais famosas da história, romantizando a relação destes dois personagens históricos desde o período em que Antony permanece com a rainha do Egito, passando pela crise em Roma que o leva de volta à pátria, o conflito com Octavius e o casamento com Octavia, a batalha de Ácio, os jogos, estratégias e traições e, finalmente, a morte. 

Estava muito entusiasmada para ler esta obra por três razões: 1) uma das minhas coisas preferidas na literatura é Shakespere e as suas tragédias; 2) esta obra é baseada em algo que efetivamente aconteceu; e claro 3) é uma história romântica e, acima de tudo, dramática. E, como sabem se seguem o blog, há muito poucas coisas de que eu goste mais do que isso. 

Em relação a esta peça, tenho opiniões contraditórias. Não sei bem aquilo que esperava, mas sei que não era exatamente isto. Talvez, admito, esperasse algo mais romântico e trágico à la Romeu e Julieta e, com efeito, Antony e Cleopatra explora o romance de uma forma mais subtil e baseia-se mais numa vertente física e prática, em emoções mais maduras e menos inocentes. E, apesar de o desfecho ser igualmente trágico, o caminho não foi alcançado por via do amor per se, mas de outras emoções como o ciúme ou o desejo de vingança. Acho que, no fundo, aquilo que quero dizer, é que esta tragédia se baseia mais em desejo, manipulação e calculismo do que propriamente em amor e romance.  

Isto leva-me à representação de Cleopatra. Quando acabei de ler a obra e antes de vos escrever li diversas opiniões que apontavam o facto de Cleopatra ser muitas vezes considerada uma das personagens femininas mais complexas de Shakespeare. Não foi uma das primeiras coisas em que pensei enquanto lia a obra, mas depois de me por a pensar sobre o assunto, talvez concorde. Gostei muito desta ficcionalização. Creio que vai muito de encontro à imagem que nós temos desta personagem. O que me leva a reflectir sobre a forma como esta mulher foi construída ao longo dos anos de um modo tão consistente que nunca a sua imagem foi sendo especialmente questionada ou alterada. E aqui ela surge exatamente como eu esperava que ela fosse surgir, destemida e implacável, vingativa e calculista, mais errática do que apaixonada. 

No mesmo sentido, não sei até que ponto a componente histórica e o facto de saber que aqueles eventos aconteceram efetivamente e que aquelas pessoas existiram não alterou ou moldou a minha experiência de leitura. Mas, realmente, se cortou uma vertente que apela mais à imaginação, também incentivou interesse. 

Dito isto, concluo dizendo que, claro, gostei muito da obra, mas não adorei. Consigo pensar numa mão cheia de peças de Shakespeare de que gostei muito mais do que de Antony and Cleopatra. Ainda assim, no geral, gostei imenso da obra e recomendo-vos a leitura. Conhecem a história? Leram esta tragédia? Nos tempos de hoje, infelizmente, o que não nos falta é tempo para ler. Aproveitemos! 

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Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.

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