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A Outra Menina Bennet

A Outra Menina Bennet

11
Set17

"As Raparigas", Emma Cline - Inocência Perdida

Sofia

"Sentia que até certo ponto a conversa com Russell a deixara cheia de energia. Activa, com uma autoridade renovada. (...) Não sei se o sobressalto que senti era de medo ou de interesse. (...) Eu queria isto - uma onda sem origem, sem tonalidade, levava-me até Russell. Até Suzanne, até todos eles. Eu queria este mundo sem fim."

As-Raparigas.jpg

Confesso que a primeira coisa que me atraiu em As Raparigas, primeiro romance de Emma Cline, foi a capa. Sim, sou uma dessas pessoas. Foi como um íman para o livro. Quando li a sinopse na contra capa fiquei rendida e soube que tinha de ler este livro. Toda a sinopse me fez lembrar de algo que me aconteceu a mim nestes três anos de Faculdade.

 

Situada nos anos 60, esta é a história de Evie Boyd, 14 anos, filha insegura e solitária de pais separados, e da sua perda de inocência. Esta rapariga bastante normal avista certa vez um grupo de raparigas que a fascina. A aura de liberdade, descuido planeado, atrai Evie desde o primeiro momento. Obcecada, a protagonista de Cline não descansa enquanto não arranja forma de entrar no seio deste grupo. Cresce o seu interesse, quase obsessão, por Suzanne no Rancho - sítio onde estes indivíduos vivem, liderados pelo aspirante a músico Russell, uma espécie de Messias para todos.

À medida que se vai infiltrando cada vez mais no grupo, Evie mergulha numa espiral de amor livre, drogas e violência. Eventualmente tal como a Evie, o leitor vai-se apercebendo de que nem tudo é o que parece neste Rancho “Hippie”. Na verdade, todos os valores que eles pregam são pelos próprios totalmente subvertidos. Porém, eles são incapazes de o ver. O Rancho começa a parecer-nos uma seita; do qual os seus membros, de tão profundamente conectados com ele e entre si, não se conseguem libertar, indo até ao fim da linha. A maneira como tudo acaba não surpreende. Mesmo no final, a autora mantém sempre o mistério em que o Rancho e os seus habitantes estão envoltos intactos.

Este é um livro para as pessoas que se fascinam por outras pessoas, por outros mundos. Este é um livro para os que se iludem.

Penso que até certo ponto todos nós fomos, somos, ou seremos, uma Evie – encantados por um mundo que não é o nosso, fascinados por pessoas que não conhecemos, deslumbrados por sítios nos quais nunca tivemos, iludidos pela promessa da liberdade que nos é devida por direito. A Evie teve coragem para perseguir esse mundo extraordinário. Eu não tive. A maioria das pessoas não tem. A Evie desiludiu-se com todo o esplendor que pensava ver. Pergunto-me se eu me desiludiria. Se tu te desiludirias. Penso que nunca saberemos.

O livro em si não me desiludiu. Porém, penso que uma história com este potencial podia ter sido melhor trabalhada. Mas tendo em conta que é um primeiro romance, está bastante bom. Recomendo a leitura.

 

Idioma de leitura: Português

3/5

 

 

Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, viagens, tragédias, chuva e chocolate.

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