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A Outra Menina Bennet

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12
Ago19

“Carmen”, Prosper Mérimée - Carmen, Carmen … a ‘inesquecível’ e ‘livre’ Carmen

Sofia

“Ela mentiu, senhor. Ela sempre mentiu. Não me parece que ela alguma vez tenha dito algo que fosse verdade. Mas quando ela falava, eu acreditava nela” 

193853.jpgGeorges Bizet tem uma ópera lindíssima em quatro atos que eu adoro e que aconselho muito chamada Carmen (1875). Essa ópera, como quase todas as óperas tem um motivo literário por trás. Baseia-se numa obra de Prosper Mérimée com o mesmo nome, Carmen (1845). Há muito tempo que a queria ler, mas sabem como é, desde que desejamos uma coisa até que a concretizamos, passa uma vida. Enfim, li finalmente Carmen. 

 

Carmen é tão conhecida que não sei se não vou resumir a obra em vão. Divide-se em quatro partes, sendo a terceira a principal que narra sobretudo a história de Carmen, uma mulher de etnia cigana. José Lizarrabengoa, um criminoso que o narrador conhece numa viagem a Espanha é o responsável por contar a história desta mulher. Tendo-se apaixonado por ela, ele desvia-se da sua carreira e embarca numa vida itinerante, indo de sítio para sítio, nunca dormindo muitos dias seguidos no mesmo lugar e nunca se furtando ao roubo para se manter ao lado de Carmen. Está claro que isto não acaba bem. É que, para além de Carmen ser casada, ela é livre. O amor dela por José termina no dia em que ela conhece outro jovem mais do seu agrado, como o amor dela pelo marido acabara antes. Porque com Carmen o amor era livre e fugaz e sobretudo, não eterno. Não vos vou dizer como acaba a história para não estragar, mas basta dizer-vos que José, quando o conhecemos é um criminoso considerado perigosíssimo e que, antes de conhecer Carmen, era apenas um fidalgo espanhol normalíssimo. 

Bem, começo por vos contar uma curiosidade: a história é baseada em factos verídicos. Mérimée, numa viagem a Espanha em 1830 ouviu a história do crime que fecha Carmen e, tão interessado, decidiu escrever sobre isso. Para além de romantizações necessárias ao sucesso de uma obra de arte, Mérimée produziu uma outra alteração: tornou Carmen numa mulher de etnia cigana. Porquê? Era o objeto de estudo dele na altura, algo que o seu narrador nos explica na quarta e última parte da obra. 

Carmen é para mim, mais do que uma história de amor, uma história sobre liberdade. E como tal, até é contraditório chamar-lhe história de amor porque se há algo de que o amor nos priva, é da liberdade. Mas não a Carmen. A sua liberdade é tão mais importante que o amor vem em segundo se não em décimo plano. Ao mesmo tempo, nota-se o afeto dela por José. Aliás ela mesma o admite. Então ela ama-o ou não? Na opinião dela, sim. Vamos concordar em chamar-lhe uma espécie diferente de amor. Por muito sacrifícios que ela faça a este amor, nunca lhe sacrifica a sua liberdade. Daí que muitas vezes, a citação mais popular desta obra seja “Carmen vai sempre ser livre”. 

Digo-vos também que fiquei alguns mais aspetos da cultura Romani, na qual Mérimée inseriu Carmen, o que é sempre agradável e educativo. Não fiquei a saber ter uma conversa inteira sobre o tema, mas descobri algumas coisas curiosas. Além disso, é notável o esforço dele em adquirir conhecimento sobre o tema.

A ópera, como provavelmente sabem, é lindíssima. Nunca vi nenhuma adaptação cinematográfica, mas agora fiquei relativamente curiosa e sei que existem imensas. No geral, gostei da obra. Não achei assim um espanto, e gostei mais da história em si do que da arte narrativa, embora admita que aí o problema possa estar em mim; como não consegui encontrar a versão original, tive que ler uma tradução, o que, a não ser em casos extraordinários e raríssimos, nunca faz jus ao texto, e para além de não o fazer, corta muita da sua essência e da sua originalidade e técnica. Mas enfim.  

Em suma, esta é uma obra que, sem dúvida, recomendaria. Para não mencionar o impacto cultural, destaco a facilidade com que se lê, as dimensões reduzidas que fazem com que a leiamos num dia, e claro, a beleza da história. Sobretudo aquela aura de liberdade que tanto nos fascina pela consciência de que nunca a atingiremos. Carmen é belissíma nesse aspeto. Faz-me lembrar a década de 20 nos Estados Unidos e a geração Beat.  

E vocês? Conhecem a história? Já leram? O que pensam de Carmen

 

Idioma de Leitura: Inglês 

 

3,5/5 

 

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Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.

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