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A Outra Menina Bennet

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24
Jun19

“Cem Sonetos de Amor”, Pablo Neruda

Sofia

“Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde, amo-te diretamente sem problemas nem orgulho: assim, amo-te porque não sei amar de outro modo.”

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Neste momento estou a ler um livro bastante complexo e, sejamos honestos, enorme. Espero conseguir falar dele na próxima semana. Quando estou a ler este tipo de livros, por vezes, sinto necessidade de ler algo menos complexo e mais simples ali pelo meio, para desanuviar. Faço isso por diversas vezes e, nesta semana que passou, quando senti essa necessidade, lembrei-me de Pablo Neruda. Há uns tempos falei aqui no blog de uma obra deste autor – Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada. Gostei muito dessa obra. Claramente o suficiente para ler agora Cem Sonetos de Amor.

 

Sobre Cem Sonetos de Amor não há muito que possa dizer que não seja dito pelo próprio título. A obra consiste exatamente em 100 sonetos dedicados ao amor.

Tenho de ser honesta sobre dois aspetos. Primeiro, gostei muito mais de Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada. Não sei isso se deveu ao facto de, na altura, ser o meu primeiro contacto com o autor e, desse modo, ainda existir o fator ‘novidade’ que despoletou um certo fascínio em mim. Achei essa obra extraordinária. Esta, com toda a sinceridade, não consegui achar assim tão interessante. De facto, houve momentos em que, mesmo eu, uma (muito) exagerada romântica incurável, pensei “okay, isto não é verossímil”. Houve momentos em que senti que o sentimento estava a soar exagerado e pouco realista. Também pode ter a ver com o facto de, em termos de poesia romântica, estar habituada a outros poetas e a outras obras. E claro, também pode ter a ver com o facto de ter os poemas lindíssimos e, simultaneamente, muito simples, claros e polidos de Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada como termo de poesia.

Não obstante, os sonetos são maravilhosos. Não houve um do qual eu não gostasse. E só de pensar no estado em que se encontra a poesia hoje em dia, no tipo de livros de poesia que se leem, impulsionados nem sei bem pelo quê, não consigo deixar de pensar no quão maravilhoso isto é. Não posso dizer que gosto tanto da poesia de Neruda como gosto da poesia dos meus poetas preferidos como Keats, Yeats, Shelly ou Byron, Plath ou Poe. Nem posso dizer que estes sonetos se comparam sequer aos de Shakespeare. Mas, tendo em conta o contexto de publicação e, tendo em conta a poesia que se consume atualmente, Cem Sonetos de Amor é uma obra de poesia muito boa.

Uma outra coisa que não posso deixar de mencionar. Fiquei muito surpreendida com o impacto do romantismo e do motivo do ‘amor cortês’ nestes sonetos. Sei que o nosso conceito de amor, ou pelo menos o amor como o romantizámos, bebe muito dessas tradições, mas nunca deixa de me surpreender o quanto. O impacto que tiveram foi, realmente, extraordinário.

Em suma, esta foi uma boa obra para me fazer parar um bocadinho e ler algo de agradável, bonito e simples e, nesse âmbito, não posso deixar de vos recomendar esta leitura. Afinal, são sonetos de amor! Quem não gosta?

Idioma de Leitura: Espanhol

3/5

 

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Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.

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