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A Outra Menina Bennet

A Outra Menina Bennet

27
Ago18

“Chocolate”, Joanne Harris – assim morre o “chocolate”?

Sofia

“Felicidade. Tão simples como um copo de chocolate ou tortuosa como o coração. Amarga. Doce. Viva.”

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Como provavelmente sabem, há um filme adaptado deste livro de Joanne Harris. Foi através dele que conheci a história. Na altura soube que o filme tinha por detrás um livro, mas apesar de ter “gostado” q.b do filme não tive a mínima curiosidade de ler o livro. Porém, no fim-de-semana passado vi-o no supermercado e adivinhem? Exato, estava em promoção! E quem é que resiste a livros em promoção? Claramente não eu. Então acabei por comprá-lo e cá estou eu.

 

Então, se conhecem a história já sabem que acompanha Vianne Rocher e a sua pequena filha, que viajam pelo mundo como itinerantes, nunca estando muito tempo no mesmo sítio, até chegarem a uma pequena vila em França. Vianne decide que devem ficar ali. Então estabelece uma loja, uma chocolaterie, algo totalmente desadequado ao sítio. Logo percebe que naquela vila religiosa sob a alçada de um padre (muito) exigente, duro, e influente, o seu negócio não vai ser fácil. Afinal, ela está ali a vender o “pecado”, não é? Grande parte da comunidade vira-lhe as costas como que afrontada. Com o tempo, ela vai atraindo clientes, amigos, o ódio do padre, e, pelo meio, operando uma mudança extraordinária na pequena vila e nos seus habitantes.

No meio de todo este tormento e chocolate, está aquilo que eu considero um retrato muito caricato, estranho e ultrapassado da religião e influência da igreja, bem como uma romantização desesperada da vida pagã, do vagabundear pelo mundo fora, e de todas as superstições e crenças que possam imaginar. No centro disto tudo, uma mulher que muda tudo. Muito irrealista na minha opinião.

Está claro e óbvio para mim que a autora tentou demasiado, o que é algo que eu não aprecio de todo. A história em si, até é interessante, a maneira exagerada em como é contada é simplesmente demais para mim. Há uma romantização exageradíssima desta perfeitíssima Vianne que, com mil Diabos, chegou para salvar a vila de um padre, oh meu Deus, tão tirano, atormentar as beatas todas só com um olhar e um vislumbre de um bombom de chocolate, pregar e incuntir a tolerância relativamente a uma comunidade cigana (como um milagre), arrebatar uma velhinha e fazê-la viver a vida como uma adolescente saudável de 15 anos, provar que os animais têm alma, e no meio disto tudo, pasmem-se, ainda consegue salvar e resgatar uma mulher vitima de violência domestica após apenas duas conversas, o que ia dar imenso jeito na APAV. No meio disto tudo, acreditem ou não, ainda passa a ideia de que esta mulher poderá ter poderes (realmente só com poderes é que poderia desempenhar todas estas incríveis tarefas), uma espécie de bruxa pagã que deita cartas no meio da noite quando não consegue dormir, cartas essas que, sabe-se lá porquê, são sempre da “Morte”.

Sinceramente não tenho a mínima paciência para este tipo de coisas. Odeio coisas ultra romanceadas e não suporto quando os autores tentam demasiado incutir uma ideia ou história. A coisa mais estranha é que enquanto ia lendo o romance, até nem pensei muito nisto tudo. Só quando acabei o livro é que pensei para comigo “isto é ridículo”.

Não obstante, devo dizer que o livro se lê bem. É fluído, leve, simples, definitivamente não exige pensar muito. Olhem, é uma boa leitura de praia. Nada mais do que isso receio bem. Não é um livro que queira voltar a ler. Nem pensar. Sinceramente até o filme foi menos ridículo. Talvez devido ao facto de não entrar nos detalhes mais patéticos. Recomendo-vos a leitura apenas se encontrarem o livro em promoção ou não tiverem mais nada para ler.

 

Idioma de leitura: Português

 

2/5

 

Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, viagens, tragédias, chuva e chocolate.

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