Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Outra Menina Bennet

A Outra Menina Bennet

17
Jun19

“Júlio César”, William Shakespeare

Sofia

“Et tu, Brute?”

julius caesar.jpg

Com já vos tinha dito há umas semanas, há uns tempo apeteceu-me voltar a Shakespeare e decidi comprar alguns livros do autor que ainda não tinha lido. Se há umas semanas, vos vim falar de Como vos Aprouver, desta vez trago-vos Julius Caeser.

 

Julius Caeser é uma peça histórica inspirada na morte do imperador romano Júlio César às mãos dos senadores mais próximos, entre os quais se destacaram Cassius e Brutus, principais instigadores do complô. Como sabem, depois da morte do Imperador, seguiu-se uma guerra civil e sucedeu-lhe o sobrinho Octaviano, Augusto, o primeiro Imperador a adotar para si o título de “César”. Mas esse já não é um assunto para esta peça.

Com toda a franqueza, não posso dizer que gostei tanto desta peça como gostei de Como vos Aprouver ou como de outras peças de Shakespeare. Porém, sei que isso tem a ver com o fator envolvimento e, para ser sincera, com a ausência de motivos de cariz romântico. Porque em termos de audácia, estética, estrutura e motivo, a peça é tão genial como qualquer outra de Shakespeare.

Sabem que, é desta peça que deriva a famosa citação “a culpa não é das estrelas” que até deu nome a um popular livro Young Novel da autoria de John Green. Só que essa é uma subversão da citação shakesperiana. Aqui, essa frase é proferida por Cassius e dirigida a Brutus e reza, na verdade, da seguinte forma: “A culpa, meu caro Brutus, não é das estrelas, mas nossa, que somos seus inferiores”. A frase é proferida no primeiro ato da peça quando Cassius tenta convencer Brutus de que Julius Caesar não pode ter poder em Roma, porque isso não iria de encontro aos principais interesses dos súbditos e, por conseguinte, do Império. A citação é, de resto, uma das minhas preferidas em toda a obra shakesperiana e uma que costumo citar com bastante frequência, até na ‘vida real’. Porque vamos ser honestos, não é completamente verdadeira e humana? Shakespeare explicou mesmo a humanidade. Acho que foi isso que fez dele o que ele é hoje e tudo o que ele representa.

Esse retrato perfeito da humanidade também está, claro, presente aqui. Uma coisa de que gostei foi o retrato pintado dos senadores que traíram Caesar. A motivação principal que eles tinham era pensarem que Caesar não servia os interesses do Império e, como tal, teria de ser retirado à força. Está claro que esta me parece uma visão altamente romanceada, porém, ainda assim é uma visão bonita. Mais bonito ainda é o dilema de Brutus. Por um lado, ama e é leal a Caesar, mas por outro, jurou servir um Império, então em que ficamos? ‘Et tu, Brutus?’

Enfim. Julius Caeser tem sido muitas vezes considerada uma das melhores peças históricas do autor. Com honestidade, não tenho a certeza disso, mas um dia hei-de saber dizer!

Por agora, apenas ‘gostei’. E é claro que sendo Shakespeare é sempre de recomendar a leitura. Até porque sendo uma peça de cariz histórico, é sempre bom e útil. Afinal, mesmo que romanceado, o que ali está aconteceu. E nem todos gostam de ler grandes livros de História.

 

Idioma de Leitura: Inglês

 

3,5/5

 

2 comentários

  • Imagem de perfil

    Sofia 19.06.2019

    Olá!
    A única coisa que precisas de saber é que, por onde quer que comeces, vais gostar, mas não vais entender tudo!
    De qualquer forma, eu recomendaria sempre começar por Romeu & Julieta, pelo simples facto de não ter sub-plots, de não ter um contexto histórico intenso por trás e de não ser difícil de entender ou acompanhar, sendo ao mesmo tempo uma peça bonita e cativante (e está cheia de ironia, o que se perde sempre porque as pessoas adoram pensar que é apenas uma história de amor trágica!).
    Sei que é uma recomendação 'básica' por ser uma história que já é tão conhecida que imensas preconceções lhe são atribuídas e muita gente a marginaliza, mas a verdade é que, a meu ver, é a peça mais simples de Shakespeare. Foi também por onde eu comecei e, verdade seja dita, continua a ser uma das minhas preferidas. E não apenas por ser 'romântica', porque se uma pessoa for a ver, não é bem assim.
    Contudo, se não for tão apelativa para ti, diria O Sonho de Uma Noite de Verão, que é uma comédia genial, mega cativante e também simples de seguir. Só tens de ter cuidado para não confundir as protagonistas femininas! Macbeth também não é incrivelmente difícil, mas tem um contexto histórico específico e está recheada de alusões à época medieval e a práticas da mesma que muitos leitores perdem. Se optares por ler em português, as traduções da Relógio d'Água são, na minha opinião, as melhores. Espero que te tenha ajudado! Se leres alguma, espero que gostes e que me contes a tua opinião!
    Beijinhos
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Mais sobre a Sofia

    Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.

    Subscrever por e-mail

    A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

    Arquivo

    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2020
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2019
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2018
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2017
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    Em destaque no SAPO Blogs
    pub