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A Outra Menina Bennet

A Outra Menina Bennet

14
Dez20

“Menina e Moça”, Bernardim Ribeiro

Sofia

Menina e Moça me levaram de casa de minha mãe para muito longe. Que causa fosse então daquela minha levada, era ainda pequena, não a soube. Agora não lhe ponho outra senão que parece que já então havia de ser o que depois foi.

Menina e Moça by Bernardim Ribeiro

Faz uns dias que recebi uma versão antiquíssima de Menina e Moça (1554) de Bernardim Ribeiro. Nunca tinha visto esta obra à venda e nem sei se existem versões mais modernas. Mas estou muito contente com a minha cópia que, não obstante estar desbotada e literalmente a desfazer-se, é uma edição de 1966 e creio que preserva o texto essencialmente original e com bastantes explicações.

 

Menina e Moça foi publicada no século XVI e é considerada o primeiro romance pastoral da Península Ibérica. Parece-me a mim que, atualmente, o título e a frase inicial da obra (a que escolhi para iniciar o post) são mais conhecidas do que propriamente a obra. A história em si está divida em 3 narrativas: “História de Lamentor e Bilesa”, “Os Amores de Binmarder a Aónia” e “Os Amores de Avalor por Arima”. As três histórias relacionam-se entre si. Como podem perceber pelos títulos, as histórias tem temática romântica e passam-se em meio rural.

O maior problema aqui para mim foi a linguagem. A obra está repleta de arcaísmos e ainda que seja percetível, confesso que demorei mais ler devido a essa razão. Tive muitas vezes de parar a meio de frases para tentar perceber o que estava a ler. Às vezes parece que a nossa língua não mudou assim muito, mas quando lemos obras destas percebemos o quanto a língua é dinâmica e o muito que evoluiu. Na verdade, achei este aspeto bastante enriquecedor.

Em relação à história em si, não posso dizer que me tenha cativado extraordinariamente. Porém e estranhamente, despertou-me sentimentos de nostalgia. Talvez por este tipo de obra já não ser tão popular como fora e por não ser tão influente nos nossos géneros literários atuais como outros géneros o foram. Os romances pastoris foram muito específicos de uma época histórica e, talvez por isso, por os sentir como algo que não nos pertence, que está afastado de nós, me pareçam tão caracterizadores de uma época. E talvez, em minha opinião, essa seja uma das suas maiores valências. Contam-nos muito daquela época, dos seus hábitos e, claro, da sua arte.

Como vos disso no inicio do post, não tenho conhecimento de existirem edições modernas desta obra, o que lamento imenso. Este tipo de obras devia definitivamente ter uma maior projeção e ser alvo de maior atualização, nem que fosse para não se perderem. Afinal são uma importantíssima herança que não me parece estar a ser bem cuidada.

Já tinham ouvido falar desta obra? Tiveram a oportunidade de ler? Se sim, como são as vossas edições?

 

Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.

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