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A Outra Menina Bennet

A Outra Menina Bennet

20
Abr20

“O Quebra-Nozes”, E.T.A. Hoffmann

Sofia

Todos a condenavam por ser uma sonhadora.

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Toda a gente conhece a história. É exatamente o tipo de história que nos habituamos a ouvir e a ver adaptada nas mais diversas formas ao longo do tempo e que, também por hábito e afeição, vamos reproduzindo e propagando também nós. Raramente pensamos acerca da sua origem ou sobre como seriam antes de serem tão transformadas pelas sucessivas adaptações. Confesso que foi por causa do ballet que me lembrei de ler a história original de O Quebra-Nozes.  

 

O Quebra-Nozes (1816), como Hoffmann primeiramente escreveu, conta a história de Marie Stahlbaum e das suas aventuras com o seu brinquedo preferido, um quebra-nozes. A história começa numa véspera de natal quando às doze badaladas, Marie observa os seus brinquedos, liderados pelo quebra-nozes, a ganharem vida para combater uma invasão de exército de ratos. Mais tarde, o quebra-nozes volta novamente à vida e leva Marie para um reino distante, feito de doces e habitado por brinquedos. 

Fantástico, Fantasia, Gótico, Romantismo, Contos de fadas, neste conto estát tudo presente.   

Como vos disse, as adaptações desta história são imensas e as mais variadas. Quando era menina adorava a adaptação fílmica da Mattel, era provavelmente dos meus filmes preferidos e um dos que mais via. O ballet é lindíssimo e sempre que está no programa da temporada, não perco a hipótese de ver. Já sabia que as adaptações são sempre um problema porque nunca se conseguem manter completamente fiéis ao original e, nesse âmbito, gostava de destacar algumas diferenças de Hoffmann para as versões que temos hoje (a maioria, na verdade, são baseadas na adaptação de Dumas desta versão de Hoffmann), já que falar da história é repetir o que já foi dito mil vezes. 

Talvez a diferença mais evidente seja mesmo o nome da protagonista. O meu espanto ao encontrar uma Marie ao invés de uma Clara foi grande e o tempo que eu gastei em busca da Clara a que estava habituada foi ainda maior. Até que descobri que Clara, nesta versão original, é apenas uma boneca da protagonista Marie. Mesmo assim, fiquei mais pronta para ver a boneca Clara como protagonista do que Marie, tal a influência que apenas um detalhe tem em nós! 

Depois, a idade dos protagonistas. Na minha cabeça vejo a adaptação fílmica, os dançarinos no ballet, e tudo me remete para protagonistas jovens adultos. A própria história, vejo-a sempre como romântica e associo-a a protagonistas adolescentes, adultos. Ler a versão de Hoffmann protagonizada por uma menina de 7 anos foi, confesso, muito estranho para mim. Por causa, lá está, da associação a uma componente romântica que, de certo modo, acaba também por estar presente aqui, embora de outro modo. 

Na verdade, uma coisa de que gostei aqui foi a candura da vertente conto de fadas que, desprovida da componente romântica a que estamos habituados, surge de um modo muito diferente, mas ainda assim agradável. Gostei imenso da viagem à terra dos doces e do conto que Drosselmeyer conta a Marie e que surge no meio do conto principal para explicar como o príncipe se transformou em quebra-nozes. 

No geral, como poder perceber, gostei imenso desta leitura. É diferente, sim. É mais leve por isso, não. É tão agradável voltarmos a contactar com este tipo de histórias que ouvimos quando eramos pequenos e que apreendemos agora de diferente forma. É sempre uma experiência extraordinária. O ano passado li pela primeira vez Peter Pan, uma das minhas histórias de infância preferidas e senti muito isso. Com O Quebra-Nozes, apesar de tudo, foi diferente porque, como vos disse, existem diferenças que, apesar de parecerem pequenas, fazem tanta diferença que, no fundo, é como ler uma história diferente. E vocês, o que acham? Conhecem a história? Qual a versão com que estão mais familiarizados? Também gostam de voltar a ler os contos de que gostavam quando eram crianças? O quão diferentes são eles agora para vós? 

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Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.

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