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A Outra Menina Bennet

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13
Nov18

“Objetos Cortantes”, Gillian Flynn – o problema das Crianças Troféu

Sofia

“Às vezes, se deixas que as pessoas te façam coisas a ti, na verdade estás a fazê-las a elas.”

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Em Parte Incerta, ou Gone Girl, como é conhecido em todo o mundo, foi um dos melhores livros que li, escritos neste século. Adorei-o profundamente. E a ter em conta o impacto que causou, e o facto de se ter tornado num livro de culto, e numa bem-sucedida adaptação ao grande ecrã, todo o mundo o adorou. Desta forma, é apenas natural que, assim que tive tempo livre, e precisei efetivamente de ler algo contemporâneo, Gillian Flynn foi a minha escolha. Escolhi o seu primeiro livro pelo único facto de agora estar em todo o lado desde que a HBO decidiu adaptar a história ao pequeno ecrã. Boa decisão.

 

Objetos Cortantes apresenta-nos Camille Preaker, jornalista num pequeno jornal de Chicago. Quando o seu editor decide que é preciso enviar alguém à pequena cidade de Wind Gap para investigar e contar a história de misteriosos assassinatos de crianças, a sua escolha é Camille, afinal Wind Gap é a sua cidade natal. Apesar disso, Camille não está nada satisfeita de lá voltar, e muito menos de ficar na casa da sua família, com a sua mãe, padrasto, e meia-irmã. Ainda menos com todas as recordações da sua outra irmã – Marian, morta anos antes.

Se há uma coisa extraordinária aqui, é o facto de Flynn ter criado uma família que vai muito para além do disfuncional. Sinceramente já tinha lido e visto muita coisa, mas isto foi simplesmente demais. Completamente incrível, mas também arrepiante e assustador.

As reviravoltas na história, não são na minha opinião, tão boas e eficazes como as de Gone Girl (também não acho que seja possível!), mas ainda assim, são geniais. A questão é que, desde o início que eu percebi logo o que tinha acontecido com as meninas assassinadas. Porém, a maneira como foi revelado foi muito boa, assim como as motivações para os crimes. O caso Marian então foi trabalhado de forma absolutamente genial. 

O que eu achei ainda mais digno de nota, foi o facto de tudo fazer sentido. Tudo teve lógica, e tudo encaixou na perfeição. Uma pessoa podia esperar que coisas tão macabras não tivessem simplesmente explicações lógicas, mas a verdade é que tiveram. Muito ao estilo Gone Girl.

Uma das coisas de que mais gostei foi a forma como o livro expôs o facto de a nossa existência, propósito e vida ser muito moldado pela nossa família, pela nossa educação, pela forma como crescemos. Porque isso é totalmente verdade. Tudo o que aconteceu ali, não foi do nada. Foi algo que foi sendo construído, e nasceu e evoluiu como uma espiral, um ciclo. O verdadeiro efeito dominó. Uma sequência de abuso que levou ao desfecho mais terrível e macabro. Tão terrível que não permitiu mais perpetuação.

O livro fez-me repensar muito a teoria que já tinha formado de que há pessoas que simplesmente não deviam ser pais. Não nasceram para isso. As crianças não podem ser vistas como formas de provar algo à sociedade ou ao indivíduo. As crianças não são os troféus dos papás. São seres vivos, não pediram para nascer, não pediram para sofrer, e o resto do mundo não tem de acatar com as consequências das suas infâncias e famílias cortantes.

Antes de recomendar o livro, deixo um aviso relativamente aos temas sensíveis: doenças mentais, mutilação, crimes como assassinato e violação, consumo de drogas, alcoolismo, etc, são explicitamente abordados.

Dito isto, vão comprar Objetos Cortantes! Vale muito a pena, não se vão arrepender. Depois, venham contar-me as vossas opiniões e impressões. Recomendo a leitura!

Idioma de leitura: Inglês

4/5

 

Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.

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