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A Outra Menina Bennet

A Outra Menina Bennet

20
Jan20

“Queen Mab: A Philosophical Poem”, Percy Shelley

Sofia

Even love is sold.

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Há coisa de um par de anos, num verão, comprei antologias de poemas de alguns dos meus poetas preferidos. Falei aqui no blog sobre as antologias de Yeats e de Keats. Nessa altura comprei também uma antologia de Shelley da mesma coleção e esta semana venho falar-vos de um trabalho que li na semana que passou, que consta nesta antologia e do qual gostei imenso.

 

Queen Mab (1813) foi o primeiro grande trabalho de Shelley. É um poema em nove cantos e é, essencialmente, uma utopia. O poema narra a viagem de Ianthe através do tempo e do espaço conduzido pela rainha das fadas, Mab, que lhe fala dos hábitos e ações destrutivas do homem, de tudo o que está errado no presente, de tudo o que esteve errado no passado e, apresenta uma visão promissora de um futuro onde tudo será corrigido, onde tudo será bom, justo e belo.

Antes de tudo e a título de curiosidade, Ianthe foi o nome da primeira criança de Shelley e, Queen Mab, como sabem, é uma referência recorrente no folclore e não só. Recordo neste momento uma referência a esta fada em Shakespeare, Romeu e Julieta, e também em Moby-Dick de Melville. Mas as referências a ela, são, claro, muitas mais.

Aspetos discutidos nesta composição em particular vão desde os sistemas políticos, aos sistemas de comércio, as leis e a corrupção, a alimentação e, algo muito enfatizado, a religião e o caracter já imoral do próprio amor.

Como calculam, o cariz filosófico e político do poema é claro e óbvio e eu não me vou alongar nesse aspeto, para não correr o risco de dizer algo menos correto ou mais simplista. Além disso, acho que muita da interpretação que podemos fazer deste poema vem de nós e da nossa visão própria do mundo, mais do que de teorias. Sobretudo no concernente àquilo que nós achamos que está certo ou errado, sendo que, como sabemos, visões políticas e ideologias filosóficas diferentes resultam em diferentes opiniões e abordagens e, aquilo que uns veem como injustiças, outros veem como necessidades prementes ao bem-estar e ao equilíbrio da sociedade. Sinceramente, acho que até este aspeto é exposto no poema.

A composição para mim tem algo que ainda a torna mais interessante e importante que são notas do próprio autor em relação a alguns versos e que são autênticos ensaios dos quais eu, pessoalmente, gostei ainda mais do que do poema, se isso é possível. Especialmente, existem duas notas em particular, uma sobre a condição do amor e outra sobre a religião que me agradaram realmente. Até tem uma nota sobre vegetarianismo a qual eu, praticante da dieta, entendi como deveras interessante. E achei graça a tal inclusão. As notas, todas elas, até podem ser lidas como externas ao poema, ou seja, ninguém precisa de ler o poema para as ler e entender,

Uma coisa que me fascinou muitíssimo e que não posso mesmo deixar de mencionar é a atualidade do poema. Tudo o que ali está ainda faz sentido para mim. Quero eu dizer, as falhas que Queen Mab aponta ao homem e aos seus sistemas, ainda se aplicam ao que eu vejo hoje. E isto, sublinho, é uma opinião pessoal. Mas creio que este aspeto só demonstra que nós nunca mudamos mesmo, não? E por isso é que este tipo de obras continua a ser popular. A nossa natureza humana pode ser muito controlada ou cultivada, mas não se altera na sua essência. E, como costumamos dizer, os erros do passado são os erros do presente e serão certamente os erros do futuro.

Como podem perceber, adorei o poema e recomendo imenso. Não faço ideia se está ou não traduzido para português, mas suponho que deva estar. Afinal, porque não estaria? E vocês? Conheciam o poema? Já leram? Ficaram curiosos?

 

5/5

 

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Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.

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