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A Outra Menina Bennet

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23
Set19

“Rei Lear”, William Shakesperare – o que se passa com o rei mais popular da literatura?

Sofia

“Quando nascemos, choramos por virmos para este grande teatro de bobos.”

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Esta semana trago-vos outra obra para o que chamei aqui no blog “ciclo Shakespeare”. Sinto-me simultaneamente modesta e envergonhada por só agora ler e falar sobre uma das peças mais populares e apreciadas de Shakespeare e, por conseguinte, do mundo. Confesso que ainda não tinha lido esta peça porque dei prioridade às peças do autor com motivos, digamos, mais românticos, o que não surpreende ninguém. Mas finalmente, li Rei Lear. 

 

Como usual, a história não é inteiramente original. Shakespeare inspirou-se em lendas antigas e em relatos presentes em Historia Regum Britanniae (1137) de Monmouth, que foi também a fonte de, por exemplo Macbeth. Muito resumidamente, Rei Lear narra a história de Lear, o rei da Bretanha, que decide dividir o seu reino entre as suas 3 filhas. Para determinar o que cabia a cada uma, solicita-lhes, muito humildemente, que expressem o seu amor e estima por ele. As duas filhas mais velhas proferem discursos lindíssimos e elaborados, como agradava a Lear. A mais nova, Cordélia, recusa-se a fazê-lo, dizendo que o ama como o ama, como é adequado que o ame. Claro que ela é logo deserdada e entregue sem dote ao rei de França. A partir daí, a história segue o descalabro e o desprezo das duas filhas mais velhas de Lear e a progressiva loucura deste, alimentada pela compreensão do seu erro. Afinal as demonstrações de amor não seguem regras definidas nem nada significam e às vezes as palavras são só palavras. 

Vou ser muito direta e não vou estar com floridos só por esta ser considerada uma obra tão genial. Não foi nem de perto nem de longe a minha preferida de Shakespeare. De facto, acho que, de todas as que li, é até uma das quais menos gostei. Não sei explicar porquê. Ou melhor, sei. Ou acho que sei. A ausência de um plot mais suave e romântico provavelmente impediu-me de estabelecer imediatamente uma ligação com a obra e, a partir daí, tudo o que fiz foi ler uma obra que sei ver que é muito boa, mas que não me encanta especialmente. Porém, também acho que é mais do que isso. Por exemplo, Macbeth também não tem um plot propriamente romântico e é uma das minhas peças preferidas de Shakespeare. Este Rei Lear, talvez por já o ler com as espectativas tão elevadas, simplesmente não me tirou o fôlego. 

Não me interpretem mal, eu acho a obra gloriosa, não fosse da autoria de quem fosse. Só não me fascina especialmente. Mesmo a nível da interpretação filosófica, acho Hamlet muito superior. Mas não gosto nem vou julgar ou comparar obras desta dimensão. Não me parece adequado. Estou simplesmente a dar-vos a minha opinião nos termos mais básicos e comuns. 

Dito isto, tenho de dizer que adoro o argumento da peça. É tão revelador e abre espaço a uma tal pluralidade de interpretações que consigo entender o porquê da obra ser tão analisada e estudada. Também gosto do final da peça. No geral, eu adoro trágedias, por isso nada de novo, contudo o final para além de trágico é muito belo e poético. Só por ele, vale a pena!

As personagens não me cativaram por aí além, com exceção, claro, de Lear que acaba por ser de longe e facilmente a minha preferida nesta peça e uma das minhas preferidos no conjunto da obra de Shakespeare. Mas não posso deixar de notar aquilo que eu considero ser uma excessiva quantidade e variedade de interpretações por parte da crítica em relação à componente da loucura neste personagem. Tal como fica expresso nesta obra, “mais é menos". Portanto. Calma pessoal. 

Em suma, posso apenas dizer que finalmente li Rei Lear. Mas o que eu gostava mesmo de dizer era que tinha adorado ler Rei Lear. Assim, tenho a sensação de que fiz as coisas mal. Esta é uma das piores partes quando lemos estes livros que todos adoram e que todos acham excelentes: se nós não sentimos o mesmo, parece que estamos errados ou que falhámos em fazer as coisas como devíamos. Mas pronto. Às vezes temos as expectativas muito elevadas. Além disso, não podemos todos gostar do mesmo e, apesar de não me ter deslumbrado, sei contudo notar e admitir que a obra é, de facto, excelente e por isso, recomendo-vos a leitura e espero ansiosamente ouvir opiniões acerca desta renomada obra. 

 

Idioma de Leitura: Inglês 

 

3,5/5 

 

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Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.

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