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A Outra Menina Bennet

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23
Abr18

“Rumo ao Farol”, Virginia Woolf – viagens complicadas são feitas por mais de uma vez

Sofia

“Sim, tive a minha visão”

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Sou uma grande fã de Virginia Woolf enquanto personalidade literária. Acho-a uma das mais interessantes. Quando era mais nova li Mrs Dalloway e lembro-me de ter ficado muito bem impressionada. O ano que passou li O Quarto de Jacob por motivos académicos e também não desgostei. Em relação a este Rumo ao Farol devo dizer que sempre foi o livro de Woolf que mais me aguçou a curiosidade, então a semana que passou enchi-me de coragem e peguei nele.

 

Rumo ao Farol está dividido em três partes: a primeira parte está historicamente posicionada no pré-guerra e segue a família Ramsay que recebe convidados na sua casa de praia e procura planear uma viagem ao Farol; na segunda parte, durante a guerra, esta casa está vazia e são-nos dados alguns detalhes sobre a vida dos seus habitantes; na terceira e última parte, 10 anos após as outras partes e portanto no pós-guerra, a viagem ao Farol é finalmente oficializada.   

O que aqui se passa é uma espécie de literatura introspetiva. A escrita tenta reproduzir o processo do pensamento. O chamado fluxo de consciência, algo com que já me tinha deparado em Mrs Dallaway embora não tão “intensivo” como aqui, na minha modesta opinião. 

A melhor parte para mim foi sem dúvida a segunda. Há nela aquilo que eu considero uma espécie de paralelo entre a casa e a família, ambos vencidos pelo tempo. De resto, na minha opinião, se há um protagonista nesta história, este não é Mrs Ramsay, como se pode facilmente supor, mas sim a casa.

O Farol em si, para mim, é simbólico. Acho que simboliza algo mais, embora não saiba bem o quê ao certo. Para mim talvez simbolize aquela coisa que passamos a vida toda a dizer que queremos, mas que vamos sempre adiando, aquilo que mais desejamos, mas que é impossível. Ou aquilo que quando alcançamos percebemos que afinal não queríamos assim tanto. No livro quando se chega finalmente ao Farol percebemos que não é nada demais. Estava com esperança de que esse momento fosse grandioso e emotivo, porém não lhe notei qualquer emoção para além de talvez melancolia.

Eu vou ser muito sincera: não sei se entendi este livro. Aliás, para ser totalmente honesta tenho de admitir que a partir de certa altura deixei simplesmente de o tentar compreender. Comecei a lê-lo só por ler. Acho que na verdade foi a melhor coisa que fiz. Não sei se tenho o que é preciso para poder compreender e apreciar este livro a 100%. Pelo menos não agora. Talvez um dia. Acho que este é um daqueles livros em que vou pegar daqui a 10, 20 ou quem sabe 50 anos, e talvez nessa altura venha a fazer todo o sentido. Por agora não posso dizer isso.

Não é que não seja um bom livro. É um ótimo livro. Embora muita gente o considere maçador, eu não achei. Lê-se bem, não é muito longo, os diálogos são poucos e simples. Porém não tenho a certeza de que é um daqueles “livros do povo”. Eu leio bastante - bastante mesmo -, e muito do que leio é considerada literatura clássica, e mesmo assim este livro não é claro para mim. Se não for a alguém com muita bagagem literária, não posso recomendar este livro. Quanto a mim, ainda não desisti. Voltarei a este livro. Senão agora, um dia.

 

Idioma de leitura: Português

 

2,5/5

 

Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.

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