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A Outra Menina Bennet

A Outra Menina Bennet

13
Ago18

“Selvagens”, Don Winslow – Quando se tenta demasiado, sai o tiro pela culatra

Sofia

“Criámos deuses da riqueza e da saúde. Uma religião do narcisismo. E, finalmente, só nos venerámos a nós. E, afinal, não foi o suficiente.”

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À semelhança daquilo que aconteceu com O Mandarim, comecei a ler este livro porque “estava lá por casa”. Eu já tive muitas experiências boas com livros que “estavam lá por casa”, como é o caso de O Mandarim ou Os Capitães da Areia. Este livro era do meu pai e ele comprou-o porque há um tempo saiu um filme adaptado deste livro, que ele acabou por nunca ler. A verdade é que só o facto de ele ter “gostado” tanto do filme (que eu na altura também vi e achei só despropositado e “forçado”) devia ter constituído uma “red flag” e um aviso do tipo “Sofia, não percas o teu tempo”. Mas eu sou teimosa, não é? Já no verão passado tinham tentado ler este livro mas desisti num folhear rápido, este ano, teve de ser.

 

Então, este livro é um policial. A história segue dois rapazes bastante diferentes que cultivam e comercializam droga, erva, e a amante de ambos, chamada, vejam bem, “O”. Nem vou comentar. Esta gente é abordada por um importante cartel de droga que exige ficar com o negócio deles, como se o seu não lhe chegasse e não houvesse clientes suficientes para todos. Os dois rapazes, Ben e Chon (bem, não é tão mau como “O”), acabam por aceitar a proposta porque, adivinhem, o tal cartel decide raptar a amante de ambos, a tal “O”. Os dois espertos tentam de várias maneiras enganar o cartel e tentar trazer a amante “O” de volta, o que faz sempre falta, não é? Nem vou continuar, acho que já deu para perceberem toda esta “coisa”.

Enfim, vocês leram este breve resumo, o que dizer mais? Bem, não quero que pareça que eu sou uma daquelas pessoas “terríveis” que despreza policiais ou que acha que eles não são uma forma de literatura ou que não são bons o suficiente. Eu gosto de policiais. Mas acima disso, gosto de bons livros. Fico-me por aqui.

Há bastante tempo que não lia uma coisa tão ordinária, cheia de palavrões, em alguns momentos mesmo reles e rasca. Agora não pensem que eu sou uma menina querida (sou) que não pode ler um palavrão ou uma coisa mais explícita. Como já vos confessei noutros posts, Bukowski e os escritores da geração beat são-me muito queridos e as suas obras estão entre as minhas preferidas. Por isso, os palavrões ou as cenas explícitas não são um problema para mim. Agora neste livro, são simplesmente sem nível, reles mesmo, baixas.

Depois ainda há uma coisa que me incomodou bastante. Há claramente uma “tentativa” (chamo-lhe assim, porque não passa mesmo disso) de fazer uma espécie de pseudo crítica social, uma chamada de atenção à nossa sociedade que o autor chama apropriadamente de “selvagem”. Nada contra. Para mim vivemos mesmo numa sociedade de selvagens, somos selvagens, vivemos para e na selvageria. O problema é que o autor não tem capacidade de fazer, escrever, demonstrar esta crítica. Eu entendi o que ele quis fazer aqui, e entendo que a linguagem e toda a crua explicitação do livro tem como objetivo final a demonstração desta selva, mas não funciona. Não dá. Sai mal. Foi uma boa ideia, sem dúvidas nem objeções, mas não saiu minimamente bem. Winslow não tem capacidade ou gabarito para fazer esta crítica. E não, eu não faria melhor. Nem sequer tentava. Não aprecio passar por vergonhas, e para fazer uma coisa destas fico quieta e aprecio quem sabe. Lamento se vocês leram o livro (ou viram o filme, que por incrível que pareça é melhor do que o livro – deve ser uma primeira vez) e gostaram, e se sentem ofendidos com a minha opinião e frontalidade, mas é mesmo assim.

Ofendida fiquei eu quando me deparei na contra capa com o preço que o meu pai pagou por isto, e com diversas opiniões favoráveis de entidades validadas. É por isto que se publica qualquer coisa hoje em dia e toda a gente escreve.

Por fim, porque não consigo mais falar deste livro, digo-vos que em quase trezentas páginas, há um único parágrafo que “vale a pena” ler, aquele do qual retirei a citação que está no topo do post. Amigos, se adoram policiais não leiam isto, se não gostam de policiais, também não leiam. Não recomendo este livro a ninguém, a não ser a quem não tenha mais nada que fazer, nem mais nada que ler.

 

Idioma de leitura: Português

 

1/5

 

Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, viagens, tragédias, chuva e chocolate.

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