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A Outra Menina Bennet

A Outra Menina Bennet

11
Nov19

“One Flew Over The Cuckoo’s Nest”, Ken Kesey – os nossos sistemas não entendem a saúde mental

Sofia

Este mundo, meu amigo, pertence aos fortes. O ritual da nossa existência baseia-se nos mais fortes a devorarem os mais fracos. Temos de enfrentar isto. E também é certo que assim seja. Temos de aprender a aceitar isto como uma lei do mundo natural. Os coelhos aceitam o seu papel no ritual e reconhecem o lobo como o forte. Em defesa, o coelho torna-se esquivo, assutado e elusivo e cava buracos para se esconder quando o lobo está por perto. E aguenta-se e continua a viver. Ele sabe o seu lugar. Certamente, não desafia o lobo para um combate. Isso seria esperto? Seria?”

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Mais uma obra para a minha lista dos livros que devia ter lido há muito e, por alguma razão, não li. Neste caso encontro uma razão mais forte para só ter lido agora. Não faz muito o meu género de livro, de escrita, ou de história. Confesso desde já que apenas o li pelo seu estatuto e pela sua popularidade e não, não tenho vergonha de admitir isso. Portanto, também aviso que a minha opinião do mérito da obra pode não ser totalmente imparcial.

 

 

04
Nov19

“A Feira das Vaidades”, William Makepeace Thackeray – o palco da nossa vida

Sofia

“O mundo é um espelho e mostra a cada um o reflexo da sua própria face. Olhas para ele com sobrolho carregado e ele olha-te de volta azedamente; ris-te para ele e ele será um companheiro gentil e alegre; então, deixe-se que todos os jovens façam as suas escolhas.”

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Estou há muitos muitos anos para ler Vanity Fair. Muitos mesmo. Desde que era muito miúda e comecei a ler todos os clássicos. Lembro-me de que na altura houve uma época em que andava louca à procura de uma tradução desta obra. Aparentemente há dez anos, quando eu tinha 13, não havia nenhuma. Sinceramente, acho que ainda não há. Ou se há, eu não conheço. Entretanto, fui-a esquecendo porque foram surgindo sempre novas obras que queria ler e, mesmo quando comecei a ler as versões originais, colocavam-se sempre outras prioridades literárias. No início deste ano, fiz a minha lista com todos os clássicos que extraordinariamente me tinha "esquecido" de ler e lembrei-me de Vanity Fair. Estou tão feliz de finalmente o riscar da lista!

 

 

31
Out19

“The Raven” & “The Masque of the Red Death”, Edgar Allan Poe – A minha leitura de Halloween

Sofia

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando, dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.

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Pois bem, eu não ligo nada ao Halloween. Não é uma festividade nossa, em termos culturais e, além disso, está incrivelmente longe daquilo que, originalmente, se designou que fosse. Contudo, estou ciente do significado e influência crescente desta celebração e, apesar de geralmente não “fazer” leituras temáticas, achei que era interessante tentar este ano. Então, escolhi duas obras – um poema e um conto – que encaixam maravilhosamente no conceito de Halloween. Afinal, a existir um autor, pelo menos daqueles que eu aprecio e costumo ler, cuja obra englobe e encaixe neste espírito, não é ele Edgar Allan Poe?

 

21
Out19

“Doutor Zhivago”, Boris Pasternak – o Amor & a Guerra que o desafia e vence

Sofia

Eles amaram-se, não impulsionados pela necessidade, ou pelo “ardor da paixão” frequente e falsamente associado ao amor. Eles amaram-se porque tudo à sua volta conspirou nesse sentido, as árvores e as nuvens e o céu sobre as suas cabeças e a terra sob os seus pés. Talvez o mundo que os rodeava, os estranhos que eles conheciam na rua, as vastas extensões que viam nas suas caminhadas, as divisões em que vivam ou onde se encontravam, tivessem mais prazer no amor deles do quer eles tinham.

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Não vou mentir logo no início. Só li Doctor Zhivago porque vi o filme há coisa de 1 ano e tal. Lembro-me de que não gostei especialmente do filme (vi a versão de 1965 realizada por David Lean), mas que gostei muito da história. Li sobre ela mais tarde e só fiquei surpreendida de não ter ouvido falar desta obra mais cedo. Não só porque adoro literatura russa no geral, mas porque a história é muitas vezes descrita como uma das grandes histórias de amor de sempre. Não sei se concordo, mas acompanhem-me.

 

 

14
Out19

“Oliver Twist”, Charles Dickens – a imoralidade da sociedade pelos olhos da inocência

Sofia

O Oliver Twist pediu mais!

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Não há nada que abunde mais na minha biblioteca do que romances ingleses de século XVIII e XIX. Durante a minha adolescência era tudo o que gostava e tudo o que lia e foi através deles que conheci todos os outros grandes clássicos que fui lendo. Recentemente, não sei bem explicar porquê, fui me lembrar de que não tinha lido assim tanto de Dickens. Great Expectations (Grandes Esperanças em Portugal), óbvio, e alguns contos, mas onde estavam os outros romances dele que eu sabia de antemão que ia adorar? Foi mais ou menos o mesmo que me levou, há uns tempos, a fazer uma encomenda de obras de Shakespeare que ainda não tinha lido (falei de algumas aqui no blog!). Assim que pensei nisto fui ver o que me faltava ler, fiz uma encomenda e venho-vos agora falar de uma das coisas simultaneamente mais doces e cruas que já li, Oliver Twist

 

30
Set19

“Ligações Perigosas", Pierre Choderlos de Laclos – Jogos de Sedução

Sofia

“Foi então que confirmei a verdade, que o amor, que julgamos ser a fonte dos nossos prazeres, nada mais é do que uma desculpa para eles.”

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Tal como Le Rouge et Le Noir de Stendhal (de que falei aqui no blog há umas semanas), também Liaisons Dangereuses de Laclos era um clássico francês que queria ler desde há muito. Não o li porque quando era mais nova e comecei a ler os clássicos não existiam as traduções que existem agora nem tanta facilidade de acesso às mesmas. Entretanto, nos últimos anos desde que entrei na faculdade comecei a optar por lê-los no original. Em relação a este livro, o que inicialmente me cativou foi o facto de não me parecer encaixar nos parâmetros daquilo que deveria ser um livro do século XVIII. A moralidade, os valores, o sentimentalismo, etc. Então, sempre tive curiosidade de ler e descobrir como é que este livro tinha sido publicado, recebido, como tinha chegado até hoje e, sobretudo, se era mesmo “tão escandaloso” tendo em conta a época. 

 

23
Set19

“Rei Lear”, William Shakesperare – o que se passa com o rei mais popular da literatura?

Sofia

“Quando nascemos, choramos por virmos para este grande teatro de bobos.”

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Esta semana trago-vos outra obra para o que chamei aqui no blog “ciclo Shakespeare”. Sinto-me simultaneamente modesta e envergonhada por só agora ler e falar sobre uma das peças mais populares e apreciadas de Shakespeare e, por conseguinte, do mundo. Confesso que ainda não tinha lido esta peça porque dei prioridade às peças do autor com motivos, digamos, mais românticos, o que não surpreende ninguém. Mas finalmente, li Rei Lear. 

 

 

09
Set19

“Salomé", Oscar Wilde – tragédia que é tragédia tem algo de grego

Sofia

“Não é sábio encontrar significado em tudo o que se vê. Tal torna a vida demasiado repleta de terrores.”

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Oscar Wilde é muito conhecido. O que não se sabe tanto sobre si é que, ao contrário da crença comum, ele não escreveu maioritariamente prosa. De facto, a conhecida obra O Retrato de Dorian Gray é um caso único na sua vida artística. Essa obra, uma das minhas prediletas, foi aquela que me introduziu ao autor e foi devido a ela que comecei a ler outras coisas de Wilde, sobretudo peças, contos e poemas já que, confesso, ainda não tive oportunidade e, sobretudo, curiosidade, de ler uma das suas novelas, embora tenha vontade de ler O Fantasma de Canterville. Talvez num futuro próximo, por agora, Salomé

 

 

02
Set19

“Moby-Dick”, Herman Melville – o ‘grande clássico americano’ é mais difícil do que estranho

Sofia

Ahab teve tempo para pensar; mas Ahab nunca pensa; ele apenas sente. Isso é intrigante para o homem mortal! Pensar é uma audácia. Apenas Deus tem esse direito e privilégio. Pensar é, ou deveria ser, algo frio e calmo; e os nossos pobres corações palpitam, e os nossos cérebros batem demasiado para o fazer. E, contudo, por vezes já pensei que o meu cérebro era muito calmo – frio, congelado.

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Moby-Dick era outro daqueles livros que, antes de ler, tive de pôr numa lista antes para me ir convencendo de que tinha mesmo de o ler. Sempre o quis fazer, confesso que mais pelo seu estatuto em termos de cânone do que pelo apelo que a história propriamente dita tinha para mim. Agora estou bastante satisfeita com a conclusão deste projeto.

 

 

26
Ago19

“Em Busca do Tempo Perdido”, Marcel Proust

Sofia

“Sonhamos muito com o paraíso, ou antes, com numerosos paraísos sucessivos, mas são todos, muito antes de morrermos, paraísos perdidos, onde perdidos nos sentiríamos."

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Finalmente. Se seguem o blog sabem que, no começo da primavera, quando tudo começava a florir, eu comecei a ler o primeiro volume de Em Busca do Tempo Perdido, ou seja, Do Lado de Swann, livro sobre o qual escrevi aqui. Lembro-me de ter pensado na altura que mais valia escrever sobre cada um dos sete volumes à medida que os fosse lendo, mas a verdade é que, assim que os lia sentia-me tão possessiva em relação à obra que não queria sequer falar sobre ela, não queria que ninguém "ma tirasse", que ela nunca deixasse de ser só “minha”. Sei que é estranho, mas é a verdade. Há semanas, acabei o último volume e, se só escrevo sobre a totalidade da obra agora, é porque tenho estado num processo de luto em relação ao tempo que perdi a ler estes 7 volumes e que nunca vou perder outra vez, pelo menos não da mesma maneira. O meu grande desejo era poder perder este tempo para sempre e nunca o reencontrar.

 

 

Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.

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