Tem cada um o seu modo pessoal de dormir e morrer, julgamos nós, mas é o dilúvio que continua, chove sobre nós o tempo, o tempo nos afoga.
Não sei sobre quantas obras de Saramago já vos falei aqui, mas sei que já foram algumas. Como já vos contei, sou uma grande fã. Em relação a esta escolha em particular, apesar de há muito estar na lista de obras de Saramago que queria ler, confesso que foi devido ao filme baseado na obra e realizado por João Botelho que está para estrear que me decidi de uma vez a comprar e a ler. Não fosse isso, talvez tivesse optado por outra.
O mundo está cheio de coincidências, e se uma certa coisa não coincide com outra que lhe esteja próxima, não neguemos por isso as coincidências, só quer dizer que a coisa que coincide não está à vista.
Como certamente reparam, eu não costumo por norma ler muitas obras portuguesas. Não é por nada em especial, como é lógico. Só não calha e não são tão apelativas para mim. Há poucas que se enquadrem no género de livros que eu gosto. Se for honesta, Saramago também não se enquadra, mas por alguma razão, gosto sempre bastante das obras dele e ultimamente, cada vez que penso “a seguir vou ler alguma coisa de Portugal”, é a minha primeira escolha. Se se lembram, na primavera falei-vos de As Intermitências da Morte. Nessa altura, o que queria mesmo ler era A Jangada de Pedra, mas acabei com as Intermitências. Sei que a vontade de ler esta obra veio de uma aula de cinema em que alguém mencionou a adaptação fílmica (do realizador George Sluizer, 2002) e falou tão bem dela que, sendo eu a pessoa fácil de cativar que sou, quis logo ler. O filme nem me interessou, para ser sincera.
"A morte, por si mesma, sozinha, sem qualquer ajuda externa, sempre matou muito menos que o homem”
Como provavelmente já perceberam, eu não sou por excelência uma apreciadora ou admiradora de literatura portuguesa. Não é o meu campo de interesses principal e sinto sempre que para me prender, tem realmente de ser uma obra notável. Assim, há muito poucos autores que aprecie e como tal, cada vez que decido do nada que é altura de ler literatura portuguesa, é um desafio. Tudo o que é clássico, já está lido. E tudo o que é atual, simplesmente não me puxa. Saramago é como o meio termo e então, para mim, é uma exceção. Desta forma, nos últimos anos, cada vez que decido que está na hora de literatura portuguesa, é sempre Saramago. Porém, as escolhas também vão escasseando cada vez mais e desta vez, a escolha foi As Intermitências da Morte.
“Ter que pagar pelos próprios sonhos deve ser o pior dos desesperos”
Começo por dizer que a escolha de A Viagem do Elefante foi relativamente simples. Como apreciadora da obra de Saramago, simplesmente “apeteceu-me” ler algo que tivesse sido escrito por ele. Estava bastante convencida de que fosse o que fosse, ia ser bom, por isso escolhi o livro com a capa e o título mais apelativos. Errado.
Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.