Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A Outra Menina Bennet

A Outra Menina Bennet

27
Jan20

“The Crucible”, Arthur Miller

Sofia

How may I live without my name? I have given you my soul; leave me my name.

Unknown.jpeg

Tive primeiramente contacto com a obra de Arthur Miller num teatro. Há cerca de um ano fui assistir à representação de Do Alto da Ponte, uma peça da qual gostei bastante. Pouco tempo depois li Death of a Salesman, vencedora do Pulitzer de 1949, da qual me lembro de não ter gostado assim tanto. Lembrei nesta semana que passou que queria ler uma peça e, por alguma razão, pensei em Arthur Miller. The Crucible foi meramente a escolha óbvia. Afinal, parece que é a peça mais conhecida do autor.

The Crucible (1953) está dividida em 4 actos e é uma ficcionalização de algo que realmente aconteceu - a perseguição e julgamento das ditas “bruxas” de Salem. A história de Miller segue no primeiro acto com uma contextualização histórica e com a exposição do principal problema e origem da história. A jovem filha do reverendo está doente sem se conseguir mover da cama e a sofrer de alucinações, isto após a ter sido descoberta na noite anterior com amigas a dançar de forma suspeita numa floresta. Daí às acusações de bruxaria vai um passo e, no acto dois já se observam diversas perseguições e diversas mulheres a serem presas sob acusações de bruxaria. O terceiro acto segue um julgamento e o quarto acto observa as consequências deste e de outros julgamentos. Isto num resumo muito simples e breve.

Após uma pesquisa, descobri que a peça é, aparentemente, uma alegoria para uma época especifica da história americana, refiro-me ao McCarthyism, que refere o acto de acusar alguém de mentira, subversão, traição, etc e que deriva o nome do senador americano Joseph Mcarthy que serviu entre 1947 e 1957. O termo celebrizou um momento de perseguição às pessoas acusadas de comunismo. Está claro que eu não sabia isto nem o deduzi da leitura da peça. Tal como escrevi, descobri em pesquisa posterior e, como achei interessante e pertinente, decidi partilhar convosco. 

O que mais me marcou na peça e, portanto, aquilo que vou enfatizar aqui, foi o desespero em resolver a situação. E o que eu quero com isto dizer é, a forma como os personagens acusados de bruxaria se sujeitavam ao que fosse preciso, a confessar o que tivesse de ser, apenas para acelerar e concluir o processo. 

Além disso, claro, a força dos papéis dos órgãos políticos e religiosos em arranjar alguém para acusar e condenar, quem quer que fosse, apenas para preencher alguma espécie de sentido de dever, para provar algo e, claro, para oferecer um espectáculo à sociedade.

Destaquei estes dois aspetos por me parecer que ainda fazem sentido. São coisas muito humanas, não vos parece? 

É extraordinariamente difícil para mim conceber que existiu uma época em que as pessoas eram perseguidas por este tipo de coisas. Por se suspeitar que praticassem bruxaria, por praticarem realmente rituais destes âmbitos, por terem religiões diferentes, por não terem religião, ou pela sua ideologia política. É tão estranho pensar que este tipo de coisas aconteceu de verdade. Esta é claramente uma dificuldade de pessoas privilegiada porque eu entendo perfeitamente que muitas destas coisas ainda ocorrem. Mas, enfim. Também vos acontece isto a vocês? Também é difícil para vocês ver ou ler algo e pensar “ena, isto aconteceu” ou “bem, isto ainda acontece”.

Para ser honesta, não gostei imenso da peça. Gostei mais da história que conta do que da forma como é contada. Foi exatamente o mesmo que me aconteceu com Death of a Salesman. O meu problema aqui parece mesmo ser com o autor. Mas sou teimosa. Hei-de voltar a aqui. Ainda assim, reconheço-lhe o mérito e, como tal, não posso deixar de vos recomendar a leitura!

 

3/5

 

1 comentário

Comentar post

Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D