Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Outra Menina Bennet

A Outra Menina Bennet

31
Out19

“The Raven” & “The Masque of the Red Death”, Edgar Allan Poe – A minha leitura de Halloween

Sofia

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando, dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.

                                      51HWrpUBEQL.jpg51tdeQ3-maL._SX331_BO1,204,203,200_.jpg

Pois bem, eu não ligo nada ao Halloween. Não é uma festividade nossa, em termos culturais e, além disso, está incrivelmente longe daquilo que, originalmente, se designou que fosse. Contudo, estou ciente do significado e influência crescente desta celebração e, apesar de geralmente não “fazer” leituras temáticas, achei que era interessante tentar este ano. Então, escolhi duas obras – um poema e um conto – que encaixam maravilhosamente no conceito de Halloween. Afinal, a existir um autor, pelo menos daqueles que eu aprecio e costumo ler, cuja obra englobe e encaixe neste espírito, não é ele Edgar Allan Poe?

 

Tanto The Raven (O Corvo), como The Masque of The Red Death são produções que encaixam no que hoje entendemos por ficção de terror. Embora eu prefira chamar-lhes góticas. The Raven, muito resumidamente, é um poema sobre um corvo que atormenta noite fora um apaixonado que lamenta a morte da amada. The Masque of The Red Death é um conto sobre uma espécie de peste que atormenta um reino e vai dizimando a população. Para fugir dela, o Príncipe Prospero refugia-se com alguns convidados numa abadia. Para distrair estes convidados organiza um baile de máscaras ao qual comparece um indivíduo mascarado precisamente de Red Death. Resolvido a esclarecer e a castigar este intruso que teve uma brincadeira de tal mau gosto, o príncipe manda desmascará-lo. Susto dos sustos quando se descobre que tal figura não tem, por assim dizer, “substância”. Suponho que adivinham o que acontece a toda aquela gente abastada que pensava que podia fugir da morte.

Está claro que ambas as obras acabam por ser muito mais do que apenas isto. Estão repletas de significado e permitem diversas interpretações que têm sido vastamente discutidas. Eu, pessoalmente, destaco em relação a The Raven a impossibilidade de olvidar a pessoa amada e a loucura que vem dessa impossibilidade e, em relação a The Masque of The Red Death claro, a inevitabilidade da morte, a única que nos trata a todos da mesma forma.

Eu não gosto de comparar produções escritas, muito menos quando pertencem a estilos tão diferentes, portanto não vou dizer “este é melhor” até porque isso não se aplica a Poe e a escritores como ele. Pessoalmente, gostei mais de ler The Masque of The Red Death, embora admita que isso tem meramente a ver com uma preferência pessoal. Por natureza, prefiro ler prosa. Mas isso não quer dizer que este conto seja melhor que The Raven. De todo. Adorei o poema. É um dos poemas mais conhecidos e apreciados de Poe. Depois de o ler agora com mais calma (já o tinha lido há uns tempos), ainda gostei mais do que anteriormente. É muito belo.

The Raven tem mesmo aquela aura de mistério, sabem? Remete para algo que assombra, algo que fascina por ser tão inescapável e inevitável. Gostei mais dele pelo que me fez sentir do que pela própria composição ou ideia. Mas acho que é sempre assim com a poesia. E não sei se não com toda a literatura. Afinal, é assim com a arte no geral, não vos parece?

Não vou dizer que estas produções me fascinaram como outras do mesmo autor. The Bells é extraordinário e Annabel Lee é só um dos meus poemas preferidos de sempre. E porque escolhi estas? Bem, é Halloween ou não é? Ademais, ainda não tinha lido The Masque of The Red Death e não me lembrava muito bem de The Raven. Além disso achei que era interessante trazer duas obras do mesmo autor que ocupam no conjunto da sua obra posições tão distintas. Toda a gente fala de The Raven, mas não ouço muita gente falar de The Masque of The Red Death. Talvez vocês fiquem curiosos para ler?

Não sei quanto a The Masque of The Red Death, mas The Raven tem traduções para português, entre as quais a de Machado de Assis e a de Fernando Pessoa. É a de Pessoa que utilizo na citação no início do post. Pessoalmente, gosto dessa tradução. Porém, como sabem, Poe deve ser um dos mais difíceis autores de traduzir, a par talvez de Nabokov (que, a propósito, era um fã de Poe), devido às inúmeras referências e ao próprio ritmo e musicalidade pelos quais tanto se destaca.

Concluindo, recomendo-vos a leitura de ambas as produções. Lê-se mega rápido e muito bem. São relativamente pequenas e cativantes! Se começarem agora, acabam antes do almoço! E não são nada difíceis de encontrar. Estão online em todo o lado! E não é Halloween? Já que vamos adotar a festividade, mais vale adotar em todos os campos.

 

Idioma de Leitura: Inglês

 

4/5

Mais sobre a Sofia

Estudante de Letras. Romântica Incurável. Perdida algures num sonho. Apaixonada por livros, chá, contos de fadas, tragédias e chuva. Entre Flores & Estrelas.

Segue-me nas redes sociais

Instagram

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D